#ProtestoMaterno: com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades

Criação generosa da Renata Montenegro, blog http://mulhervitrola.com.br/
Criação generosa da Renata Montenegro, blog http://mulhervitrola.com.br/

O Comer para Crescer tem como foco a alimentação infantil e da família. Mas, de vez em quando, a gente foge do tema principal porque quem ficado parado é poste! Hoje é dia de mudar um pouquinho o assunto da página pois estamos participando da blogagem coletiva #protestomaterno com a nossa visão sobre os atos públicos que ocorreram essa semana e mexeram com todos os brasileiros.

Eu, Patrícia, me considero velhinha. Participei das manifestações do Fora Collor em 1992. Estive no Vale do Anhangabaú no dia que foi aprovado o impeachment do então presidente da República. Foi emocionante participar daquele momento catártico.

Depois disso, nunca mais vi o país ir às ruas com tanta gente ao mesmo tempo. Acho que por conta dos rumos que o Brasil tomou: inflação controlada, eleições democráticas, lideranças políticas fortes. Era um tempo de Mário Covas, Leonel Brizola, Lula, Fernando Henrique Cardoso…  Tempos que foram seguidos por anos de pleno emprego, acesso ao crédito e à possibilidades de trocar a TV de tubo velhinha por uma tela plana de 7.6543 polegadas, de comprar a prazo os 5 carros da família, os 16 celulares 3G, além de Ipdas, Ipods, de viajar e de engordar.

Puxa, engordar pra caramba!

Tudo isso passou, menos o excesso de peso e a compra frenética de gadgets eletrônicos.

A inflação que estava controlada, parece não estar mais. Lembram do preço do tomate em março? Do preço do feijão, da batata, do óleo, do pão, do arroz, dos orgânicos? Bom, não preciso lembrar, porque as mães vão às compras toda semana.

As lideranças políticas foram morrendo. Algumas de fato e outras por fatos nebulosos, caso como o do mensalão. E novas lideranças políticas não foram surgindo e tomando o lugar de gente de peso como Ulisses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Miguel Arraes…

Falta substância política e sobram motivos para a gente continuar chiando. Afinal, quem nunca reclamou da falência da educação, da saúde, do transporte, do preço da comida, do Marco Feliciano, do trânsito, da corrupção, da polícia, da insegurança, da falta de parques públicos decentes para levar as crianças para correr e brincar!?

Pois é! Daí que uma galera cansou só de reclamar e começou a protestar por uma coisa e arrebanhou uma multidão que chiava por outras.

Veio a polícia dando uma de polícia, ou seja, descendo o sarrafo nos manifestantes, agindo como se estivesse na desocupação do Pinheirinho. SÓ QUE NÃO!!! A diferença entre a galera do Pinheirinho e a da rua Maria Antônia, no centro de São Paulo, é que os primeiros são pobres, miseráveis e estão longe do centro, do burburinho, da modinha e sempre são tratados como invisíveis pelos políticos mequetrefes. Na Maria Antônia, estão a USP, o Mackenzie, o Sesc, os descolados, a classe média, a elite!

Daí, deu no que deu. Toda vez que a polícia bate na classe média, na elite, dá merda!

Foi o estopim para se fazer história.

E assim, a história se fez na segunda-feira, dia 17 de junho!

Nem eu nem a Mônica pudemos ir no Largo da Batata para nos juntarmos com as milhares de pessoas que estavam por lá, inclusive uma porção de amigos.

Fomos pra janela (#vemprajanela) e ficamos emocionadas com as cenas das pessoas se espalhando pelas ruas (apesar de eu achar que os manifestantes podiam ter deixado os trabalhadores presos no trânsito, passarem devagarzinho e irem embora).

Enfim, deu resultado. Os políticos bananas que estão no poder aceitaram as revindicações dos manifestantes.

Mas, eu me pergunto: E agora, José, o que vem por aí? O caminho das ruas  das manifestações foi descoberto – ou redescoberto. O que faremos com esse poder? Vamos parar o trânsito sempre e trazer a reboque os malucos anarquistas do Black Blocks? Vamos nos organizar e criar uma pauta séria e viável de reivindicações? Vamos anular o voto na próxima eleição? Vamos…

São muitas as dúvidas. Esse post, nesse dia histórico também para nós, mães, tem mais questionamentos e reflexões que tenho me feito pois penso no futuro próximo, que já bate a nossa porta e que vai pavimentar as ruas do mundo que deixaremos para os nossos filhos, quando eles forem adultos.

Enfim, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades, já escreveu sabiamente Stan Lee, em 1962.

Beijos,

Patricia e Mônica

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