O que você conversa na mesa?

 

O que você conversa na mesa. Sabe, depois de um tempo que a gente é pai/mãe, vai meio que achando que já sabe de tudo. E vai se metendo na vida de outros pais espalhando “conhecimento” mundo afora. Mas quem disse que a gente pratica o que fala?

Outro dia, com um amigo, mandei um “as conversas na mesa de refeição tem de ser gostosas para a criança associar a comida com algo prazeroso”. Juro! Parecia pediatra falando…

Só que dessa vez bateu um pânico! Será que pratico isso em casa?

Não mesmo. Durante a semana, muitas vezes o jantar é o único momento em que todo mundo se encontra prá valer – eu, marido, Isabella, Úrsula e Fred, o schnauzer. E a coisa é mais ou menos assim: começa com a caçula derrubando alguma coisa (conhece coordenação motora de criança com dois anos e meio?). Tensão. Alguém tem de levantar, trocar prato/copo/toalha e recolocar o que foi perdido.  Então os adultos voltam a relaxar e contam como foi o dia com a chefe mala (ou com o cliente esquisito, ou com o trânsito horrível, ou com o colega traidor, ou com o projeto complicado, ou com a falta de tempo de ir na academia, tudo coisa normal de vida de adulto). Mais tensão. E se lembram que no fim ninguém pagou a conta que venceu ontem, que marcaram uma reunião no mesmo horário do pediatra, que a sogra vem para passar o fim de semana. Nessa altura, a caçula quer sair da mesa. E a mais velha quer chamar a atenção. Do alto dos seus pensamentos filosóficos de seis anos recém-adquiridos, solta: “Quem foi Cristo? Por que algumas coisas aconteceram antes dele (a.C.) e outras depois dele (d.C)? E a Ritinha disse que o papai é um mentiroso porque quem fez o mundo foi Deus e não o Big Bang”.

Aff, nem sei como ainda comemos.

Mudei tudo, minha gente. Fiz novas regras. Crianças são crianças e vão continuar a derrubar coisas e fazer perguntas difíceis em qualquer hora, né? Sobrou para os adultos a tal mudança.

1) Resolvi usar o email com o maridão. Ou o Facebook. Ou torpedos. Qualquer coisa que ajude a resolver as pendengas do dia-a-dia… durante o dia! Olha que simples

2) Os mesmos meios tecnológicos também servem para desabafar sobre o chefe/cliente/trânsito/sogra. Opa, essa última não que o companheiro(a) nunca vai entender a coisa mesmo…

3) Deixo pratos, copos e talheres a mais perto da mesa. E o kit pá+vassourinha caso algo quebre…

4) Entrei para a religião dos débitos automáticos.

5) Entrei também para a religião do Excel. E dá-lhe tabelas com horários de reuniões, médicos, cursos, o que surgir.

6) Conversa no jantar, só com as crianças.  Afinal, se a gente respirar fundo, vê que tudo o que elas fazem ou falam, no fundo é MUITO engraçado!

7) Depois do jantar, crianças dormindo, aí sim volta o momento de falar sobre o dia. Mas, quer saber, ficar de mãos dadas e assistir uma boa comédia é mais negócio, viu?

Me copia, gente!

beijos

Mônica

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