O desfralde do meu jeito – e não do jeito dos outros

desfralde

Hoje não vou falar sobre o que entra, e sim sobre o que sai.

Em alguns departamentos da minha vida sou um pouco insegura – como na hora de escolher o melhor modelo de telha para casa, por exemplo. Mas como mãe, nunca tive esse problema. Acredito em Winnicott quando ele diz que toda mãe sabe intuitivamente como criar os filhos.  E eu resolvi criar as minhas respeitando seus limites.

Por isso, a despeito dos palpiteiros de plantão e das críticas familiares, minha caçula de 3 anos ainda usa fraldas. A mais velha largou peito, chupeta, mamadeira quando se sentiu feliz para isso: um dia, ela simplesmente desistiu deles, cada um a sua vez. Mas a fralda, confesso que não lembro como foi. Eu ainda era uma dessas mulheres loucas que trabalhavam 15 horas para uma empresa e tercerizei a tarefa para o pai e a escola. Foi um sucesso e aos 4 anos ela estava livre de tudo (note que tenho um marido que pensa como eu…). Agora, como trabalho 15 horas para mim mesma, o desfralde da caçula é meu. E fiz assim:

Primeiro mês – Pensei: “acho que preciso comprar um penico”.

Segundo mês – Fui à loja e comprei um penico verde que combinava com o banheiro

Terceiro mês – Coloquei o penico no banheiro.

Foi meu último ato.

E então, três dias atrás, espontaneamente, a caçula olhou para mim de manhã e disse: “não quero mais fraldas, quero calcinha com flor”.

O.O !!!

Desde então, ela só aceitou dormir de fraldas. Durante o dia, anda de calcinha pela casa e faz xixi e coco onde ter na telha – sentar no penico ou no vaso sanitário com redutor ainda é uma próxima etapa. E mostra para todo mundo que chega em casa “agora eu tenho calcinha de flor, olha!”.

Estou muito, mas muito feliz comigo mesma por ter respeitado minha intuição e ver a pequena crescendo tão segura assim e no tempo que ela quer. Aliás, mais do que respeitar, eu acredito nas minhas filhas! Acredito que são capazes, que vão aprender qualquer coisa, que sempre farão o melhor possível. E é bom ver que estou certa em pensar assim.

 

beijos

Mônica

P.S. Quem quiser ler mais sobre desfralde, corre no Mamatraca. Esse é um dos temas da semana e você vai descobrir outras formas legais de passar pelo processo!

 

10 Comments

  1. Acho muito legal mães que seguem a intuição e não forçam. O Felipinho, meu mais novo, está com dois anos e quatro meses e ainda nem iniciei o desfralde. Prentendo fazê-lo quando aqui estiver mais organizado, para nossa sanidade mental, rs, e para não fazer com pressão sobre ele, o que não acho certo. O mesmo vale para amamentação.

  2. Monica,
    Sou fã deste cantinho aqui e o post de hoje fez eu me encantar ainda mais.
    Adorei o relato sobre o momento certo de cada um.
    Também acredito que todo mundo merece se sentir seguro para avançar etapas.
    As crianças são boas nisso.
    Aqui em casa, nem me lembro direito quando minha filha largou disso ou fez aquilo. São coisas tão naturais que muitas vezes desaparecem como passe de mágica.

    Que delícia!
    Parabéns pelo post!
    um bj,

  3. Adorei o post! Pra mim, usar a intuição foi um verdadeiro aprendizado. Depois que eu “forcei a barra” para criar rotina, tirar chupeta, fazer isso ou aquilo, aprendi a usar a intuição. Aprendi na marra, percebi que não estava confortável fazendo o que a mãe, a sogra, a escola, os livros diziam. Aí comecei a “exercitar” a intuição, coisa que para vc é bem natural, sorte a sua. Tirei as fraldas, quero dizer, meu filho as tirou tranquilamente, sem drama 🙂 http://www.cdesimples.blogspot.com

  4. Mô, concordo plenamente. A forma como o desfralde será realizado varia demais de criança pra criança e de família pra família. Eu sempre pensei em desfraldar Emília mais tarde, depois de 2 anos e meio, desse jeito aí que você falou: “não quero mais fralda”. Acabou que, por necessidade, não foi assim. Tive de desfraldá-la por uma série de razões sobre as quais falei lá no meu blog. Ela não pediu, mas topou. E graças a Deus está sendo ótimo e o processo já está praticamente concluído. Beijões!

  5. Genial!!! É tão raro alguém falando de desfralde tardio q ficamos com a sensação de q todas as crianças do mundo aos 2 anos viram abóbora se não forem desfraldadas.
    beijo,

  6. Então… tô mais ou menos nessa.. deixando sem fralda em casa depois que ele chega da escolinha… acontece acidentes, Sim. Mas não brigo, tiro a cueca e vamos aos procedimentos. Não quero que ele se assuste quando isso acontecer na escolinha. Crie trauma, credo, longe disso.
    Aos poucos, com amor, carinho, paciência chegaremos lá.. respeitando o tempo deles, acho primordial!

    Gostei do seu post e do seu respeito pela sua filha… acho super importante!!! 😀
    Beijos

  7. Mô,
    O desfralde aqui em casa também foi do meu jeito, ou melhor do jeito dos meninos: se um dia queriam usar fralda, usavam; se no outro queriam usar cueca com o Pateta bem na direção do pinto, usavam. Hoje os meninos não usam fralda e nem lembram que um dia usaram. Mas só passei a acreditar nos meus filhos depois de uma experiência traumática de ter acreditado primeiro nos manuais médicos de retirada de fralda. Foi uma tragédia com o Samu e tivemos de retornar a fralda a esquecer o processo por uns 6 meses. Parabéns e siga firme, porque mesmo respeitando os pequenos é um saco limpar xixi na cadeira, no tapete, no chão da sala, do quarto, da cozinha, sem falar no cocô grudado na cueca e na bunda. Mas todos, mães, pais e filhos, sobrevivemos a essa etapa do aprendizado e do desenvolvimento infantil.
    bjs
    Patricia

  8. Hhahahahaha, você está igual à @daniminu, que disse que não vai desfraldar a Helena de jeito nenhum. Vai esperar a filha ter 15 anos e ficar com vergonha do namorado hahaha.
    Que bom que deu certo!!!
    Beijos

  9. Q linda!!!
    A minha caçula também tirou na hora que quis, mas o penico eu deixo na sala pq é onde ela sempre está e dá tempo de correr até lá.
    Assim q ela estiver mais segura eu coloco no banheiro. Ela não erra mais, só penico. Mas na hora de dormir ainda usa fralda tb.
    Boa sorte com as crianças. Bom feriado!
    bjs

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