Fibras x calorias

Fibras x calorias. A Folha de S.Paulo de hoje traz uma pesquisa bem interessante feita com crianças africanas e italianas. As primeiras se alimentam com comidas ricas em fibras e pobre em calorias. As segundas comem o contrário: pratos calóricos e com poucas fibras. Estudando suas floras intestinais, os cientistas descobriram porque as crianças italianas tem mais tendência a obesidade e comprovam como as fibras são benéficas. Publico a matéria na íntegra abaixo.

Para mim, fibra é tudo de bom. Elas ajudam na saciedade, no funcionamento do intestino e até na sensação de que estamos cuidando bem da gente e da família. Além de comer frutas, legumes e verduras, você pode aumentar a quantidade de fibras na mesa trocando tudo o que puder pela versão integral: torradas, farinha, pão, macarrão, arroz… Esse último eu confesso que não gosto. Não me acostumo. Mas o restante, tem praticamente o mesmo gosto – quando não é melhor!

beijos

Mônica

Micróbio intestinal turbina inflamação e obesidade infantil

Crianças europeias têm mais bactérias que causam esses problemas de saúde do que africanas, diz estudo

Alimentação calórica de país rico faz a diferença; vila africana estudada representa modo de vida mais tradicional

John Stillwell/France Presse

Príncipe Harry brinca com crianças africanas; flora intestinal varia conforme alimentação

LUCIANO GRÜDTNER BURATTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Um estudo com crianças europeias e africanas mostra que diferenças nas suas dietas são acompanhadas por diferenças na composição de suas floras intestinais. Isso está ligado à maior incidência de obesidade e inflamações em crianças criadas em sociedades modernas.
Cientistas colheram amostras de fezes de crianças de Florença, na Itália, e da vila de Boulpon, em Burkina Fasso (África Ocidental).
A vila africana foi escolhida por ser representativa de um modo de vida que se imagina ter existido pouco depois do surgimento da agricultura, há 10 mil anos.
A dieta das crianças em Boulpon é rica em fibras (cereais e legumes) e pobre em calorias, enquanto que a dieta das crianças florentinas é rica em calorias (açúcares, gorduras e proteína animal) e pobre em fibras.
A análise revelou a presença de 51% de bactérias do filo Firmicutes e 27% do filo Bacteroidetes em crianças italianas. A relação se inverteu nas crianças burquinenses, com 73% de Bacteroidetes e 12% de Firmicutes.
A proporção relativa desses tipos de bactérias já havia sido associada à obesidade em ratos. Roedores obesos possuíam mais Firmicutes que Bacteroidetes comparados a roedores saudáveis.
A relativa abundância de Firmicutes em crianças italianas sugere, assim, uma ligação entre flora intestinal e obesidade: crianças com mais Firmicutes em relação a Bacteroidetes estariam mais predispostas a engordar.
Por outro lado, as bactérias Bacteroidetes, predominantes em crianças africanas, produzem gorduras de cadeia curta, como o butirato, que possui propriedades anti-inflamatórias.
O estudo, publicado na revista “PNAS” e liderado por Carlotta de Filippo, da Universidade de Florença, também identificou uma transformação na flora intestinal.
Crianças florentinas em período de amamentação possuíam composição intestinal semelhante à das africanas da mesma idade.
Isso indica que a diferença observada nas crianças mais velhas surgiu ao longo do desenvolvimento infantil, e não devido a diferenças étnicas, sanitárias ou geográficas.
Os africanos também apresentaram maior biodiversidade e menor quantidade de bactérias potencialmente tóxicas, como E. coli e Shigella.
“Isso pode estar relacionado ao processo de aquisição de imunidade nessas crianças”, diz o nutrólogo Fábio Ancona Lopez, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). “A maior exposição a micróbios pelas crianças africanas pode ter ajudado seus sistemas imunes a reduzir a presença de patógenos.”