Crianças gordas possuem maior risco de terem doenças cardíacas

Essa é a manchete de uma reportagem da Folha de S.Paulo de hoje. Aí vocês perguntam: por que a Mônica está falando sobre crianças gordinhas, se tudo o que fazemos aqui é reclamar de como nossos filhos não comem?
Segundo os especialistas, na maioria dos casos nossos filhos comem sim, mas não a quantidade que nós imaginamos ser a ideal. Sempre é menos. Na ânsia de fazer a criatura comer, oferecemos tudo, de alface a batatinha frita, de arroz e feijão a salgadinhos fritos. E aí mora o perigo da obesidade. Porque vamos ficando felizes de ver a criança comer e não enxergamos que o excesso e a alimentação errada pode ser prejudicial à saúde. A criança engorda, achamos fofo e fica por isso mesmo. E ela se acostuma…

Um dia seu filho foi um bebê glutão. Depois não queria comer nada. Mas no futuro ele vai se aproximar da adolescência e a fome vai voltar. Melhor deixar ele se acostumar a comer pouco…
Reproduzo a matéria abaixo.

Um beijo da Mônica

CRIANÇAS GORDAS JÁ TEM RISCO MAIOR DE DOENÇAS CARDIÁCAS

Pesquisa constatou sinais precoces de inflamação associada a aterosclerose

Resultados do estudo, feito com grupo entre 1 e 17 anos, preocupam especialistas e reforçam importância do controle de peso na infância

FERNANDA BASSETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Crianças obesas ou com sobrepeso já apresentam sinais de inflamação que estão associados a um maior risco de doença cardíaca em adultos.
A conclusão é de um estudo que avaliou 16.335 crianças entre um e 17 anos. As que estavam obesas apresentavam níveis altos da proteína C-reativa (PCR), marcador que se eleva em processos inflamatórios e infecciosos. Os resultados foram publicados na “Pediatrics”.
Nos adultos, níveis elevados dessa proteína indicam um maior risco de desenvolvimento de aterosclerose (formação de placas de gordura que leva ao entupimento das artérias).
Encontrar esse marcador aumentado em crianças, em uma fase tão precoce, é um fator que preocupa os especialistas ouvidos pela Folha. A PCR elevada aumenta o risco de um infarto precoce, por exemplo.
No estudo, 42% das crianças entre três e cinco anos que eram obesas tinham níveis elevados de PCR, em comparação com 17% daquelas que tinham o peso normal. Essas diferenças eram ainda maiores entre as crianças mais velhas: 83% das muito obesas (dos 15 aos 17 anos) apresentaram níveis elevados do marcador.
“A PCR é um dos marcadores de presença de inflamação crônica mais validados. Ela pode aparecer em outras inflamações momentâneas [como uma inflamação dos dentes], mas é um marcador razoável”, afirma a cardiologista pediátrica Isabela de Carlos Giuliano, professora-adjunta do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Santa Catarina.

Outros trabalhos
Em trabalho semelhante feito em Florianópolis, com 1.009 crianças entre sete e 18 anos, a professora Giuliano descobriu que 25% delas estavam acima do peso e apresentavam níveis alterados da proteína.
Segundo ela, o ideal é manter os níveis de PRC abaixo de 1 mg/l. Índices acima de 1 mg/l apontam risco moderado e acima de 3 mg/l indicam risco alto de problemas cardiovasculares.
Outro estudo brasileiro, feito pela Universidade Federal da Bahia, mediu a dosagem de PCR em 500 adolescentes entre 11 e 17 anos -em torno de 30% dos que estavam obesos tinham a PCR elevada. O trabalho, feito pela cardiologista pediátrica Isabel Cristina Britto Guimarães, é mais um que reforça a importância do controle de peso ainda na infância.
“Não vamos sair medindo PCR indiscriminadamente como maneira de prevenção, mas a PCR é mais um marcador importante”, diz Guimarães.
O Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo usa a PCR como marcador para acompanhar o tratamento de reeducação alimentar de crianças gordas.
A parte boa nisso tudo é que é possível diminuir os níveis de PCR se a inflamação for descoberta cedo. Para isso, basta aliar a prática de atividades físicas com uma dieta balanceada.
“Nessa faixa etária, o problema ainda é reversível. Mas é preciso participação efetiva dos pais, porque uma criança não perde peso se os pais forem gordos”, diz Ary Lopes Cardoso, nutrólogo e chefe da Unidade de Nutrologia do instituto.

2 Comments

  1. Muito interessante o post, sempre acompanho seu blog e adoro! A alimentação da Gabriela sempre foi uma preocupação minha, não pelo sentido dela comer muito, mas comer bem! E graças a Deus (e, modéstia às favas, com uma ajudinha minha), considero que ela se alimenta bem. Come frutas, verduras, todos tipos de carne (inclusive peixe e fígado), nunca bebeu refrigerante e seleciono o junk food dentro do razoável (tipo, pastelzinho de forno pode, mas fritura não pode…brigadeiro pode, mas jujuba não pode). Espero poder controlar a alimentação dela o quanto der, porque sei que eles vão crescendo e algumas refeições fogem do nosso controle.
    Parabéns pelo blog!

  2. Oi Mônica,

    Tenho adorado essa últimas matérias sobre alimentação dos pequenos. Tenho 1 filho de 1 ano e 9 meses e ele definitivamente não é um glutão. Não tem a menor curiosidade por comida, nem é afeito a epxerimentar coisas novas. Depois de muito custo consegui que almoçasse e jantasse regularmente, uma quantidade razoável de comida. Já adianto que não é de raspar o prato e quando não quer mais não adianta insistir. Mas vamos ao problema. Ele NÃO COME FRUTAS NEM TOMA UCOS. Até um termpo atrás ainda aceitava gioaba e uva e tomava suco de melancia. Agora, nem isso. E não adianta insistir, ele começa a chorar dizendo que não quer e sai correndo. Sinceramente, não sei o que fazer. Sempre ofereço quando estou comendo, já tentei dar o suco em vários copos, com e sem canudinho, na mamadeira, e a fruta, já ofereci cortada, amassada, em rodelas, em tiras, em bolinhas, mas tudo foi inútil. Não quero forçar para não traumatizar. Mas aí as opções de lanche ficam muito limitadas. Penso que quando crescer mais um pouquinho pode ser que concorde em experimentar. Porque a questão não é que ele não gosta, ne verdade, ele nem experimenta.

    O que vcs me sugerem fazer? E quanto a outras opções de lanche? Tenho me virado com bolo, bolachas maizena, geléia e danoninho. Mas confesso que não gosto.

    bjs e obrigada.

    Ivana

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