A hora da refeição, versão masculina

 

Homens enxergam o mundo e os filhos de uma forma diferente das mulheres. São eles, por exemplo, que jogam o bebê para cima pela primeira vez. Ou ensinam a rolar na grama. Ou tiram as rodinhas da bicicleta. É uma relação sem culpa e sem medos.

O mesmo vale na hora de dar comida. Por isso, hoje peguei emprestado o post do Caio Melo, autor do delicioso (e masculino, viva!)  blog Pais Modernos. Ali, Caio passeia por todos os temas da vida em família, sempre com aquele humor que a (pa)maternidade tanto necessita.

Vejam só como a hora da refeição pode ser algo bem mais simples do que você imaginava.E depois vá conhecer o resto do blog e descobrir que a vida pode ser mais fácil.

beijos

Mônica

 

Tem que comer tudo, hein!

Há partes da vida de pai que são só diversão. Passear, brincar, correr etc. Há, porém, um outro lado desta moeda. São as tarefas que precisam ser feitas mesmo que a criança não goste, mas que acontecem melhor se ela gostar.

Uma dessas atividades é dar a comidinha aos filhos. Depois de um bom tempo só mamando, o desafio começa com as papinhas. Em seguida evolui para refeições bem picadas até que, finalmente, a criança passa a comer o mesmo que os pais. Mas como fazer isso sem sofrer tanto?

Talvez por gostar muito de cozinhar, tenho um cuidado todo especial em fazer a comidinha da filhota. Gosto de variar ingredientes, combinar cores etc. Aquele prato estilo gororoba, em que fica tudo muito misturado e com uma cor indefinida. Sabe isso? Ninguém gosta de comer isso! Se você não gosta, uma criança que está conhecendo o mundo com suas cores e sabores certamente não gostará também, oras.

Ainda assim, é comum eu preparar o ‘papazinho’ com muito amor e a pequena franzir o nariz. Aí vem uma tempestade de reações… todas emocionais e nada úteis:

– Ah, menina! Precisa comer tudo, hein, senão… (insira chantagem aqui).
Bem, você sabe que chantagem não presta na educação dos filhos, certo? Então porque adiantaria na alimentação deles? Se funcionar, pode ser que a criança só coma para ganhar algo e não entenda a importância das refeições.

– O que foi que eu fiz de errado? Eu não acerto nem a comida da minha filha (continue com o martírio bem dramático).
Agora você vai se trancar no quarto e chorar? Mesmo um adulto quando prepara um prato que adora, tem dias que não fica tão bom. Tem dias em que não estamos com muita fome, estamos enjoados etc. Pode soar estranho, mas nem todos os problemas do mundo são culpa sua.

– Não começa com frescura, hein, vai comer e ponto final! (termine rosnando e fazendo cara feia)
Esse sim é o papel do pai! Ameaçar, mandar fazer sem dar explicações e, de preferência mostrar a sandália e jurar uma surra. Nesse caso, entre numa máquina do tempo e volte algumas décadas (quem sabe séculos).

Para minha sorte (e da pequena também) a maior parte dos dias eu consigo só pensar essas reações malucas e digerir bem antes de falar alguma coisa. Se tem uma coisa que qualquer serzinho tem por instinto é sua sobrevivência. Quando bebê, aposto que seu filho chorava ao ficar com fome, certo? Então agora também funciona assim. Se você oferece comida e a criança não quer, eu vou eliminando possibilidades:

– Tem algum sabor novo? (prato, ingredientes, forma de preparo?)
– Tem alguma textura nova? (um legume cozido que ela nunca provou, algo cru?)

Se alguma das resposta for positiva, tente excluir isso. Dê algo que a criança já conheça e goste… e tente introduzir novos alimentos numa próxima oportunidade.

Se as respostas forem negativas, normalmente eu deduzo que ela não quer comer. Talvez eu tenha dado alguma coisa para ela comer perto da refeição, pode ser que tenha tomado muita água antes… ou simplesmente não esteja com fome. Paciência, não quer comer, não come. Mas tento deixar bem claro para minha princesa que se ela não comeu a refeição, ela não vai ganhar nada para substituir. Nada de encher-se de suco, tomar toddy, comer pão integral (ela adoooora pãozinho integral na mão), bolacha ou qualquer outra coisa do gênero. Nada de encarnar a “mãe super benevolente” e dar agradinhos. Pode ter certeza de que se tivesse com fome, a criança comeria.

De vez em quando dá 20 minutos e ela pede para comer alguma coisa. Esse é o momento em que eu pego o prato dela, esquento rapidinho no micro-ondas e ofereço novamente. Tem vezes que come, tem vezes que não… mas entre mortos e feridos, salvam-se todos!

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