A Hora da Papinha

A Lu, em seu último comentário, sugeriu uma matéria da Crescer, que coincidentemente foi feita por mim. E como estou vivendo exatamente essa fase com a Úrsula, resolvi contar um pouco da minha experiência para a Lu e para vocês.
Como jornalista da área tenho de dizer: não é correto comer vendo televisão – a Pati já falou sobre isso aqui.
Agora, como mãe, também posso dizer: é MUITO difícil não cair nessa tentação. A criança fica ali, prestando atenção no desenho, abre a boca automaticamente quando sente a colher e a papinha desaparece em minutos. Um sonho. Mas a gente sabe que não pode, né? Como sabemos que não dá para comer uma caixa inteira de bombons. Quando se trata do filho, parece que a responsabilidade pesa mais.
Como já confessei aqui uma vez, dar comida não está na minha lista das 10 tarefas mais agradáveis. Adoro brincar, dar banho, trocar de roupa e passo noites acordadas sem nenhum problema. Mas a hora da papinha requer energia extra. Por isso, quando dá – o que acontece durante a semana, quando tenho a espetacular Edna aqui comigo, é que delego essa tarefa para ela que tem mais talento. Sem culpa nenhuma. Minha filha come bem, no carrinho junto da mesa. Mas observo que o grande segredo é que a Edna conversa com ela o tempo todo, participa da refeição, sente prazer nisso e tem uma paciência inesgotável.

Quando a tarefa é minha (nos finais de semana e feriados, entre outros) eu tento imitá-la. Lembro que apesar de não gostar, trata-se da minha filha. Sento com a papinha ao lado dela preparada para ficar ali o tempo necessário, sem ter outros compromissos. Garanto que a comida está boa, na temperatura certa e começo. Tem dias que ela come numa boa. Tem dias que pára, fica um dez minutos fazendo outra coisa, aí volta a abrir a boquinha para mim. Tem dias que preciso colocar um brinquedo na sua mão. A Isabella ficar ao lado brincando ajuda, mas não é sempre que ela quer fazer isso. Mas descobri que o mais importante sou eu ficar bem, com paciência. Quanto melhor estou, mais ela come também com tranqüilidade. Por isso, ás vezes escuto um cd que eu gosto, para relaxar. Ou faço isso perto do resto da família e participo das conversas. Confesso que em dias piores já liguei a TV no mudo, com ela de costas para o aparelho, e aproveitei para ver um seriado legendado – mais isso não é o ideal, viu? Quanto mais você faz corretamente – a criança no cadeirão/carrinho, perto da mesa de refeições, nos horários rotineiros – mais ela se acostuma e aceita isso bem.
Meu conselho é: troque a televisão por um brinquedo, uma música que você cante junto, uma historinha – algo que VOCÊ goste também. Nos primeiros dias será um pesadelo, assim como quando a gente começa e se arrasta para a academia. Mas depois, vocês dois (adulto e criança) estarão mais acostumados/conformados. Bom, pelo menos para mim funciona assim. Espero ajudar vocês.
Um beijo da Mô

2 Comments

  1. Mô, confesso que me senti menos culpada depois de ler seu post porque eu tbm não tenho paciência na hora da papa. Meu bebê demora 1 hora para comer! Sempre procuro revesar com o meu marido. Eu começo a papa e ele assume depois. Não dou mais brinquedos, nem ligo a tv, mas deixo um prato e uma colher de plástico para ele e vou servindo pedaços de legumes para comer com as mãos, enquanto dou outras colheradas e ainda vou cantando.
    Uma dica para aqueles dias mais críticos em que a criança chora sem parar: Pegar o telefone e fingir que está conversando com alguém. Eu sei que não é o ideal, mas meu filho se distrai e volta a comer.
    O site de vcs é ótimo!
    Bjao

  2. MÔ,
    Adorei. Esse post é um alento (além de uma superorientação) Estou empenhada cada vez mais a ter menos TV na hora do jantar. Ontem, foi assim. Fiz um jantar "japonês": comidinhas para comer com as mãos (bolinho, de peixe que depois coloco a receita, frango em tiras e legumes nos potinhos). Sem TV. Foi uma diversão. Miguel e Samuel ficaram muito entretidos.

    PS: Foi morder a Úrsula qualquer dia desses de tão fofa!
    beijos da Pati

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